Tuesday, June 09, 2009



Um Ponto sobre Verdade


O Alexandre escreveu lá no blog dele e eu estou de acordo:

A crença que a verdade é absoluta gera uma atitude mais humilde [do que a crença que a verdade é relativa], pois se ela é absoluta, ou seja, se o ser verdadeiro de uma crença em alguma medida não depende da situação epistêmica de quem tem essa crença, então podemos estar cognitivamete errados quando acreditamos nisso ou naquilo. E se temos consciência disso, nossa tendência a ter uma atitude mais tolerante com quem diz ter uma objeção à nossa crença será bem maior. A apresentação dessa objeção será uma ocasião para verificarmos se estamos ou não incorrendo em erro.
(As palavras entre colchetes são minhas. )

Wednesday, June 03, 2009

Um Ponto sobre Moralidade

Depois de um tempo, retorno indicando uma postagem do Eros. Eu achei essa uma excelente passagem:

'...não há, na primeira pessoa, qualquer razão sem um mínimo de sentimento e envolvimento. Quem perde por completo a capacidade de se envolver, perde a capacidade de pensar propriamente.'

Friday, January 09, 2009


Amor ao Próximo, Amor ao Estrangeiro, e Outras Coisas

Em ano que começou exibindo um dos traços da nossa humanidade (não adianta, ninguém me convencerá – nem as imagens do Animal Planet vis-à-vis as que a cada minuto espocam por aí envolvendo judeus e palestinos -- que na guerra, na matança, na crueldade, etc., nos aproximamos de outros animais), algumas passagens da Bíblia de Jerusalém dificilmente servirão para qualquer coisa que não seja uma ou outra reflexão. Em Levítico 19, em que se trata de algumas prescrições morais, quase podemos ouvir, como um trovão e sem ternura, as palavras -- ou talvez PALAVRAS -- de amor ao próximo e de amor ao estrangeiro. Elas se dirigem a ninguém menos do que Moisés.

Iaheweh falou a Moisés e disse: "Fala a toda a comunidade dos israelitas. Tu lhes dirás: [...] Não terás ódio pelo teu irmão. Deves repreender o teu compatriota e, assim, não terás a culpa do pecado. Não te vingarás e não guardarás rancor contra os filhos do teu povo. Amarás o teu próximo como a ti mesmo.[...]Se um estrangeiro habita convosco na vossa terra, não o molestareis. O estrangeiro que habita convosco será para vós como um compatriota, e tu o amarás como a ti mesmo, pois fostes estrangeiros na terra do Egito".

Mas é claro, nesse mesmo conjunto de narrativas podemos encontrar passagens falando da ira de um único deus contra os inimigos do seu povo (mas também contra o seu povo). Eu não falaria de inconsistência, incoerência ou contradição nesse conjunto de narrativas. Seria fácil. Afinal, elas foram escritas por muitos e em diferentes momentos. Seria fácil, também, aqui e ali, ver traços de esquizofrenia.
Há um texto riquíssimo de Freud sobre as origens desse monoteísmo, que não me cansa nunca reler. Tem enorme valor literário e nem tudo ali foi invalidado por estudos históricos e antropológicos recentes. P.ex., quem contestaria que temas como ‘o pecado original e a redenção pelo sacrifício de uma vítima tornaram-se as pedras fundamentais’ de uma das religiões que se deriva desse monoteísmo?

Tuesday, December 30, 2008



Poema de Fim de Ano

What we call the beginning is often the end
And to make and end is to make a beginning.
The end is where we start from. And every phrase
And sentence that is right (where every word is at home,
Taking its place to support the others,
The word neither diffident nor ostentatious,
An easy commerce of the old and the new,
The common word exact without vulgarity,
The formal word precise but not pedantic,
The complete consort dancing together)
Every phrase and every sentence is an end and a beginning,
Every poem an epitaph. And any action
Is a step to the block, to the fire, down the sea's throat
Or to an illegible stone: and that is where we start.
We die with the dying:
See, they depart, and we go with them.
We are born with the dead:
See, they return, and bring us with them.
The moment of the rose and the moment of the yew-tree
Are of equal duration. A people without history
Is not redeemed from time, for history is a pattern
Of timeless moments. [...]

With the drawing of this Love and the voice of this Calling

We shall not cease from exploration
And the end of all our exploring
Will be to arrive where we started
And know the place for the first time.
Through the unknown, unremembered gate
When the last of earth left to discover
Is that which was the beginning;
At the source of the longest river
The voice of the hidden waterfall
And the children in the apple-tree
Not known, because not looked for
But heard, half-heard, in the stillness
Between two waves of the sea.
Quick now, here, now, always—
A condition of complete simplicity
(Costing not less than everything)
And all shall be well and
All manner of thing shall be well
When the tongues of flame are in-folded
Into the crowned knot of fire
And the fire and the rose are one. (T.S. Eliot, Little Gidding, V)

Tuesday, December 23, 2008


Natividad
Nace un dios. Otros mueren. La verdad
No viene ni se va. Cambia el error.
Tenemos otra eternidad ahora.
Era siempre mejor la que ha pasado.

Ciega, labra la ciencia estéril gleba.
Loca, la fe en su culto vive un sueño.
Un nuevo Dios es sólo una palabra.
No busques, no des fe. Todo está oculto. (Octavio Paz)

Monday, December 08, 2008


Lógica
Dificilmente vou trocar a frase de Frege que está aí em cima, como se fosse uma epígrafe para o meu bloguinho. E não vejo conflito entre ela e essa mais recente, de Ermanno Bencivenga. No seu artigo "What is Logic About?" (publicado em European Review of Philosophy, em um edição intitulada The Nature of Logic) ele diz:
'Mathematical tools are useful in logic, as they are virtulally anywhere else; but this instrumental role is all the role mathematics can (and should) play in logic. Logic is not about sets or Boolean algebras; it is about language, this language, the one you and I speak.' (p.18)

Tuesday, November 25, 2008


El Instante

Dónde estarán los siglos, dónde el sueño
De espadas que los tártaros soñaron,
Dónde los fuertes muros que allanaron,
Dónde el Árbol de Adán y el otro Leño?
El presente está solo. La memoria
Erige el tiempo. Sucesión y engaño
Es la rutina del reloj. El año
No es menos vano que la vana historia.
Entre el alba y la noche hay un abismo
De agonías, de luces, de cuidados;
El rostro que se mira en los gastados
Espejos de la noche no es el mismo.
El hoy fugaz es tenue y es eterno;
Otro Cielo no esperes, ni otro Infierno. (Obras Completas, p.295.)

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