Nomear e Descrever (cont.)3. Geach e Evans, obviamente, não negam que Frege não identificou o sentido (Sinn) de um nome ao sentido de um a descrição com a mesma referência (Bedeutung) -- de fato, poucos negariam isso. Como Frege defendeu, expressões com o mesmo sentido devem ser intersubstituíveis salva veritate. Entretanto, ele insistiu que expressões idênticas em sua referência costumeira geralmente não são intersubstituíveis salva veritate, e.g., em contextos de atribuição de atitudes proposicionais, o que provaria que tais expressões diferem no seu sentido. Além disso, uma lição que se pode extrair facilmente de “Über Sinn und Bedeutung” (1892), locus classicus da distinção fregeana, é que qualquer frase de identidade que não seja da pobreza informativa e cognitiva de uma frase de identidade cuja estrutura podemos representar como ‘a=a’, contêm nomes que são idênticos na sua referência e diferentes no seu sentido. (Cf. Frege, G. “On Sense and Meaning”, in: Mcguiness, B. (ed.) Gottlob Frege –Collected Papers on Mathematical, Logic, and Philosophy, Oxford: Basil Blackwell, 1984, pp.157-177. A distinção fregeana entre sentido e referência remonta pelo menos a 1891, onde aparece no ensaio “Function and Concept” (op.cit., pp.137-156). Como lembra W.W. Taschek, esse puzzle é apenas um caso de algo mais geral que intrigava Frege. ‘Como podem duas frases serem distintas em significância cognitiva quando ambas exigem, a fim de serem verdadeiras, que precisamente o mesmo objeto ou objetos caiam sobre precisamente o mesmo conceito ou relação?’ Cf. “Content, Character, and Cognitive Significance”, Philosophical Studies , 52 (1987): 161-189.)
Geach e Evans (e Neale) também não negam que o aprofundamento da distinção entre nomes e descrições nas mãos de Russell parece adquirir contornos mais profundos com o desenvolvimento da sua teoria das descrições, apresentada pela primeira vez ao público em “On Denoting”. (Cf. Russell, B. “On Denoting”, Mind , v. XIV, n.4 (1905):479-493; Urquhart, A. (ed.), The Collected Papers of Bertrand Russell, v.4 – Foundations of Logic 1903-05, London: Routledge and Kegan Paul, 1994, pp.415-427.)
A alegação de Saul Kripke, em Naming and Necessity, que para Frege e Russell ‘realmente um nome próprio, propriamente usado, era simplesmente uma descrição definida abreviada’ , e que uma 'descrição dá o sentido do nome' (p.127), parece, pelo menos a primeira vista, não captar o exato sentido das distinções feitas por eles, em particular, parece não captar a radicalidade pretendida por Russell. (Cf. Kripke, S., Naming and Necessity, Cambridge: Harvard University Press, 1980.) Estaria Kripke tão enganado?








