Friday, September 29, 2006



O Paraíso Perdido (III)

'In the Garden of Eden, we had unmediated contact with world. We are directely acquainted with objects in the world and with their properties. Objects were presented to us without causal mediation, and properties were revealed to us in their true intrinsic glory.

When an apple in Eden looked red to us, the apple was gloriously, perfectly, and primitively red. [...]

We no longer live in Eden. Perhaps Eden never existed, and perhaps it could not have existed. But Eden still plays a powerful role in our perceptual experience of the world. At some level, perception represents our world as Edenic world, populated by perfect colors and shapes, with objects and properties that are revealed to us directly. And even though we have fallen from Eden, Eden still acts as a sort of ideal that regulates the content of our perceptual experience.' (Chalmers, D. , "Perception and the Fall from Eden"; in: Szabó, T. G and Hawthorne, J. (eds.), Perceptual Experience, Oxford: Clarendon Press, 2006, pp. 49-50.)


O Paraíso Perdido (II)

'A name, in the narrow logical sense of word whose meaning is a particular, can only be apllied to a particular with which the speaker is acquainted, because you cannot name anything you are not acquainted with. You remember, when Adam named the beasts, they came before him one by one, and he became acquainted with them and named them.' (Russell, B., The Philosophy of Logical Atomism, Illinois: Open Court, 1998, p.62)

O Paraíso Perdido (I)

'Deus disse: "Eu vos dou todas as ervas que dão semente, que estão sobre toda superfície da terra, e todas as árvores que dão frutos que dão semente: isso será vosso alimento".' (Gn, 1, 29-30)

Wednesday, September 27, 2006


Russell, sobre os ‘mistérios da existência’

Eis um assunto sobre o qual Russell, que, repete-se a exaustão, tanto mudou de idéia, manteve-se coerente, pelo menos desde The Principles of Mathematics (1903) -- passando por "The Existential Import of Propositions" (1905) ( que é pré-"On Denoting", mas não pré-Teoria das Descrições Definidas e, muito menos ainda, pré-Teoria dos Tipos), "On Denoting" (1905) e Principia Mathematica (1910-13) -- até The Philosophy of Logical Atomism (1917-8). Vale citar uma passagem dessas conferências:

‘I think an almost unbelievable amount of false philosophy has arisen through not realizing what “existence” means.’ ( The Philosophy of Logical Atomism, Illinois: Open Court, 1998, p.100)

Mente e Mundo

'Houve um tempo em que a abordagem padrão da referência inspirava-se na teoria das descrições de Russell. A idéia era que, sempre que um pensamento se dirige a um objeto particular, parte de seu conteúdo é dado por uma especificação do objeto em termos gerais: termos conceituais, como a equação que estou considerando nos levaria a dizer. A tendência, agora, é recuar desta posição. Há no pensamento tipos de direcionamento aos objetos que não se ajustam facilmente a esse molde. Por exemplo, um pensamento perceptual demonstrativo dirige-se a seu objeto, não por conter uma especificação geral, com o objeto figurando no pensamento como aquilo que se ajusta à especificação, mas sim em virtude do modo pelo qual este tipo de pensamento explora a presença perceptível do próprio objeto. Se igualamos o conceitual ao predicativo, esta resistência à aplicação geral da teoria das descrições transforma-se na afirmação de que, nos casos que avalizam a resistência, a referência singular é (ou pelo menos se baseia em) uma relação extraconceitual entre seres pensantes e coisas. O quadro resultante nos mostra o reino conceitual dotado de um exterior povoado por objetos particulares. A partir de seu posto no interior do reino conceitual, o pensamento estabelece contato com os objetos explorando relações que, como a percepção, seriam capazes de perfurar os limites externos do conceitual. [...]
Evans conseguiu mostrar de que modo podemos evitar uma escolha aparentemente forçada entre, de um lado, as impalusibilidades da teoria generalizada das descrições ... e, de outro, a incoerência da imagem pseudokantiana, na qual o pensamento tem de irromper no exterior de sua própria esfera para fazer contato com particulares sem lançar mão de especificações. Invocando Frege, Evans deixa claro de que modo relações não-especificadoras entre seres pensantes e objetos ... não precisam ser concebidas como algo que carregaria o pensamento para o lado de fora de uma fronteira externa do reino conceitual.
Acho que este modo de descrever o pensamento de Evans revela que, no fundo, ele está certo, ao menos em termos gerais. É comum encontrar filósofos que pensam poder atacar a posição de Evans sem prestar atenção ao contexto mais amplo em que o coloquei, simplesmente por acharem que suas conseqüências são contra-intuitivas. Isto apenas revela, de maneira deprimente, até que ponto sua obra revolucionária foi mal entendida. Que uma obra como a sua seja tão pouco apreciada é um sinal de decadência de nossa cultura filosófica.' (McDowell, J., Mente e Mundo, Aparecida, SP: Idéias e Letras, 2005, pp. 144-6)

Tuesday, September 12, 2006


Constantes Lógicas

Como todo mundo sabe, o Tractatus apoia-se sob uma ‘idéia básica’.

‘A possibilidade da proposição repousa sobre o princípio da substituição de objetos por sinais.
Minha idéia básica é que as “constantes lógicas” não substituem; que a lógica dos fatos não se deixa substituir.’ (4.0312)

Como todo mundo também sabe, antes e depois de Wittgenstein, Russell pensou um pouco sobre o assunto. Na introdução da segunda edição (1934) de The Principles of Mathematics, ele pergunta:

‘... há constantes lógicas? Em um sentido dessa questão, podemos dar uma resposta afirmativa perfeitamente definida: na expressão simbólica ou lingüística das proposições lógicas, há palavras ou símbolos que desempenham um papel constante, i.e., dão a mesma contribuição para o significado das proposições onde quer que ocorram. Tais são, p.ex., “ou”, “e”, “não”, “se-então”,... [...] A dificuldade é que, quando analisamos as proposições em cuja expressão escrita tais símbolos ocorrem, constatamos que elas não têm constituintes correspondentes às expressões em questão. Em alguns casos, isso é bastante óbvio: nem mesmo o mais ardente platônico suporia que o perfeito “OU” reside nos céus, e que os “ous” aqui da terra são cópias imperfeitas do arquétipo celestial.’

Tempos depois, ainda pensando no assunto, em Portraits from Memory (1956) Russell diz:

‘No primeiro jorro da minha crença em átomos separados, pensei que toda palavra que pode ser usada com significado deve significar algo, e considerei isso como querendo dizer que ela deve significar alguma Coisa. Mas as palavras que mais interessam aos lógicos, p.ex., palavras como “se” e “ou” e “não”, são difíceis desse ponto de vista. Tentei acreditar que em algum limbo dos lógicos há coisas que essas palavras significam, e que talvez lógicos virtuosos, doravante, pudessem encontrá-las em um cosmos mais lógico.’

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