Monday, October 23, 2006


O 'argumento da Elegia de Gray'

Nas palavras de Heidegger (ou melhor, quase com as palavras dele), o argumento central de "On Denoting"(1905) (ou talvez melhor dizendo, parte dele), o artigo em que Russell apresenta um paradigma de clareza para a filosofia, a teoria das descrições definidas.

'Sense (Sinn) is never the topic of understanding.' (p.13)

Friday, October 20, 2006


A Linda Waldi Cristinha

Katarina, lá na Palestina escreveu as tristes, e belas, palavras:

‘A saudade é revés de um parto.
A saudade é arrumar o quarto
Da filha que já morreu.
Da Waldi Cristinha que nos deixou.
A saudade é não esquecer nunca
De que nós, os animais,
Podemos desafiar a morte e, se não vencê-la, guerrear com força, com agressividade, com lealdade e com muito, mas muito amor.
Sobreviver é isto: infantaria e coluna ereta, com os discos em ordem, para abaixar, saber do que se faz o açoite e como é que se põe no colo um filhote.’

Algum dia, as palavras de Katarina me ajudarão. T. S. Eliot, em The Naming of Cats, também escreveu algo bacana sobre esses animais que amamos e que nunca deixam de nos surpreender. Katarina certamente não esquecerá dos momentos tão “introspectivos” (provavelmente já de barriga cheia) da linda Waldi Cristinha.

‘...above and beyond there’s still one name left over,
And that is the name that you never will guess;
The name that no human research can discover—
But THE CAT HIMSELF KNOWS, and will never confess.
When you notice a cat in profound meditation,
The reason, I tell you, is always the same:
His mind is engaged in a rapt contemplation
Of the thought, of the thought, of the thought of his name:
His ineffable effable name
Effanineffable
Deep and inscrutable singular Name.’

Significado e Referência Direta

Talvez só a pouca familiaridade com parte do debate recente em semântica impediria a constatação de que as noções de significado e referência direta raramente são as mesmas para diferentes filósofos. Da mesma forma, talvez só a pouca familiaridade com dois dos principais filósofos do século XX -- Frege e Russell -- que estão nas origens desse debate recente, impediria a constatação de que as noções de significado e, no caso de Russell, e com outras palavras, referência direta, não são as mesmas para esses dois filósofos.
A constatação, em primeiro lugar, de que para Frege e Russell essas noções não estão sendo usadas da mesma maneira permite não somente deixar claro diferentes concepções (agora clássicas) de como enfrentar problemas lógico-semânticos, e de como eles podem estar relacionados como problemas ontológicos e epistemológicos, como também permite deixar claro a parte do debate recente que por vezes leva a situar em posições antagônicas, e por vezes ver em harmonia, referencialistas e descritivistas.
Em segundo lugar, a constatação de que para alguns filósofos contemporâneos, tais como Kripke, Kaplan, Strawson, Evans, Recanati, Perry, etc, as noções de significado e referência direta não são as mesmas, permite deixar um pouco mais claro o quão mais complexo, depois de Frege e Russell, se tornou o enfrentamento de certos velhos e novos problemas. Ilustram esse quadro i) a adoção, por alguns, da semântica de mundos possíveis e ii) as dificuldades, se considerarmos a noção de uso de uma expressão como indispensável para o seu significado, em traçar com nitidez as fronteiras entre semântica e pragmática, em outras palavras, em enfrentar aqueles velhos e novos problemas, se possível, em termos puramente semânticos.

Wednesday, October 18, 2006


Natureza

'Talk of heaven! ye disgrace earth.' (Thoreau, Walden )

Thursday, October 05, 2006

Obrigações com outros animais

C. Korsgaard, em The Sources of Normativy (Cambridge: Cambridge university Press, 1996), chama atenção para algo que, de resto, para mim está bastante claro:

'When you pity a suffering animal, it is because you are perceiving a reason. An animal's cries express pain, and they mean that there is a reason, a reason to change its condition. And you can no more hear the cries of an animal as mere noise than you can the words of a person. Another animal can obligate you in exactly the same way another person can. It is a way of being someone that you share. So of course we have obligations to animals. [...]An animal which is ain pain is objecting to its condition. But it also objects to being in a condition to which it objects. It is a pain to be in pain. And that is not a trivial fact.' (pp. 153-4)


Crátilo

Interessante interpretação do Crátilo, a de C.D.C. Reeve (Plato, Cratylus, Cambridge: Hackett Publishing Company, 1998). Na sua conclusão, chegamos a ter dó do Crátilo.

‘Socrates...recognizes the necessity for human beings to “keep re-investigating” their views (428d2-4). “The unexamined life,” as he puts it more famously elsewhere, “is not the life for a human being” (Apology 38a5-6). When Cratylus is leaving, Socrates exhorts him to continue his search for truth. […] Cratylus’ reply makes clear that this exhortation falls on deaf ears:

I’ll do that. But I assure you, Socrates, that I have already investigated them and have taken a lot of trouble over the matter, and things seem to me to be very much more as Heraclitus says they are. (440d7-e2)

These are almost his final words. Having uttered them, he is seen on his way (propempein) by Hermogenes. Cratylus is thus as wrong about the correctness of Hermogenes’ name as is about things and names. For Hermogenes is acting like a true son of Hermes pompaios , who sees souls on their way to Hades. But it is Cratylus’ refusal to reexamine his own views that condemns him in the end to the silence of the dead.’ (p. liii)

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