Friday, April 18, 2008


Morte e Alienação Moral em O Silêncio

“Deus, não permita que eu morra longe de casa!”, diz Ester em uma de suas crises provocadas pela doença. O filme todo de Bergman (1963) pode ser visto como uma reflexão sobre a morte (a exemplo de O Sétimo Selo). Acho que o filme, de tão rico e esplêndido, tem um outro tema a ser explorado: o da alienação moral. Alienação moral, nas palavras condensadas de Peter Railton, é o seguinte: ‘...the sense that morality confronts us as an alien set of demands, distant and disconnected from our actual concerns.’ (“Alienation, Consequentialism, and Demands of Morality”, em Facts,Values and Norms, Cambridge:University Press, 2003.)

Wednesday, April 16, 2008


Jeff McMahan
Não são poucos os temas morais abordados por McMahan: guerra, aborto, o tratamento dispensado ao animais, etc. Um grande filósofo!

Sobre a assim chamada Filosofia Analítica

Na foto ao lado, dois dos fundadores da filosofia analítica. Eu suspeito que entre eles encontrava-se outro dos seus fundadores, a saber, Frege, que de tão incomodado com a fumaça dos cachimbos de Russell e de Moore, e com a insistência de Moore em discutir se a existência é um predicado (e de que espécie) e qual a melhor análise do conceito de realidade, pediu para não sair na foto. Sem contar o fato de que ele ainda poderia estar magoado com Russell. Afinal, Russell não colocara apenas sob suspeita uma parte dos fundamentos do projeto logicista de Frege -- com a descoberta de um probleminha -- mas também apresentara algumas teorias para evitar paradoxos e para se contrapor à sofisticada teoria do sentido e da referência elaborada por Frege. (Alguma coisa disso tudo ainda preocupa alguns filósofos.)

O César deu uma dica muito boa sobre alguns temas envolvendo a possibilidade ou não de se caracterizar precisamente a filosofia analítica e a sua história. Trata-se do trabalho recente de Aaron Preston.

Lendo uma das resenhas desse trabalho tive a impressão de que Preston havia cometido um erro banal: o de atribuir aos fundadores da filosofia analítica, em particular, Russell e Moore, algo como um "método de análise lingüística". Por outro lado, lendo uma das suas réplicas (feitas a M. Beaney), pode-se notar algo um pouco diferente. Preston diz:

...although I agree with Beaney that some non-doctrinal features of philosophical schools can be indicative of doctrines, I also want to insist that inferring doctrines from the non-doctrinal features of a group’s (or an individual’s) philosophizing is risky business. For instance, Beaney suggests that, if “a certain method of analysis is distinctive of analytic philosophy … [t]hen a corresponding doctrine can be formulated to the effect that this method is a central method of philosophy”. In principle, this is correct. In practice, however, we may not be able to discern the nature of a given method simply from observing it in action. We may therefore misunderstand the method, and attribute a wrong doctrine to the school.
In fact, just this sort of error stood behind the mistaken notion that the methods of Moore and Russell were forms of linguistic analysis. If one looks to my discussion of “the pattern of emphasis and diminution” (Preston 2005, 14) one will see that this notion was based on a faulty interpretation of their methods, an interpretation based on their observable features alone. The true nature of their methods could be understood only in light of certain metaphysical views (doctrines) that each held concerning the nature of propositions. Because interpretations of method are always susceptible to this sort of problem, I am hesitant to allow method-inferred doctrines to bear much definitional weight.

Thursday, April 03, 2008


Irracionalidade e Impossibilidade
A primeira passagem é de Roy Sorensen, do interessante "The Art of the Impossible"(em: Conceivability and Possibility, T. S. Gendler e J. Hawthotorne (ed.), Oxford: University Press, 2002) onde ele oferece $100 para quem conseguir apresentar uma imagem de uma impossibilidade lógica (a imagem mesma, não vale golpe baixo da espécie: "Eis aqui uma imagem: (p & ~p) "):
'Artists are imaginative people. But imagination is not a resource for evading logical limits. ' (p.346)
E a seguinte é de Donald Davidson, em "Paradoxes of Irrationality" (em: Problems of Rationality, Oxford: Clarendon Press, 2004):
'...the irrational is not merely the non-rational, which lies outside the ambit of the rational; irrationality is a failure within the house of reason.' (p.169)
Eu não quero mesmo a mixaria do prêmio do Sorensen, e acho mais interessante o irracional -- 'the failure, within a single person, of coherence or consistency in the pattern of beliefs, attitudes, emotions, intentions, and actions' (p.170) -- do que "meramente o não-racional" e a possibilidade, ou não, de impossibilidades lógicas.

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